6 de outubro de 2005

O Renascimento do Brasil

Já no final da Idade Média, estimulada pela burguesia em ascensão, o Renascimento foi uma nova visão de mundo que mudaria para sempre a nossa história. Suas principais características eram o racionalismo (em oposição à fé), o antropocentrismo (em oposição ao teocentrismo) e o individualismo (em oposição ao coletivismo cristão). O Humanismo foi um movimento intelectual que pregava a pesquisa, a crítica e a observação, em oposição ao princípio da autoridade. Ambos nasceram na Itália, em função da riqueza das cidades italianas, da presença de sábios bizantinos, da herança clássica da Antiga Roma e da difusão do mecenato. Também, a invenção da imprensa contribuiu muito para a divulgação de novas idéias.

Impossível pensar nas principais figuras do Renascimento sem falar de uns caras como Nicolau Maquiavel,  e os Tartarugas Ninja Donatelo, Rafael Sanzio e Michelangelo Buonarroti, na ITÁLIA;  na FRANÇA, o Michael de Montaigne; na INGLATERRA, o William Shakespeare; na HOLANDA, o Erasmo de Rotterdam e Rembrandt; na ALEMANHA, o Albrecht Dürer e o Hans Holbein; em PORTUGAL, o Camões; e na ESPANHA, o inigualável Miguel de Cervantes. Também, a pesquisa científica evoluiu muito no período graças, entre outros, à figuras como: Leonardo da Vinci (esse tinha 14 profissões!), Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Johannes Kepler, André Vesálio, Miguel de Servet e William Harvey.

No BRASIL, o renascimento começou há tempos, mas nunca se falou tanto nas artes praticadas por nossos governantes como agora. Muito diferente dos motivos que levaram a Europa a eclodir um verdadeiro "bum" político e cultural, nossas mazelas por aqui nasceram e se estenderam por mais de três séculos e meio de servidão, desde o período colonial, e arraigaram-se mesmo quando o "Pedrino I" arregaçou as mangas, colocou as unhas de fora e ESCREVEU nossa primeira Constituição, tudo para poder dar mais uns beijos na Marquesa de Santos. Ali nascia a política do manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Ora, se na Itália a riqueza das cidades e presença de sábios bizantinos impulsionaram todo aquele memorável movimento, parece-me que a recíproca brasileira talvez seja explicada pela alienação política dos meus conterrâneos. Quem não vê? Falta-nos educação desde sempre! Somos servis como há quinhentos anos, e este é o princípio de toda a manipulação perniciosa que por aí está.

Não é por acaso que severinos, jeffersons e valérios fizeram (e fazem) tantas. Não é por acaso que o atual governo quer agora gastar mais de 12 bilhões de Reais (eu disse BIlhões) com a transposição do Rio São Francisco. Todos sabemos que é nas obras públicas que estão as grandes roubalheiras, e não precisava nem o Jéfferson vir nos avisar disso.

Fala-se tanto em crescimento econômico e tão pouco se faz nesse sentido. Aliás, quando vemos muito discurso bonito e campanhas milionárias na mídia é para conscientizar-nos sobre um referendo fadado à desgraça em seus efeitos e todos os benefícios de um desarmamento. É certo que depois das eleições nada de fato vai conter a crescente onda de violência que nos assola, seja qual for o resultado das urnas. Vencendo o "NÃO", tudo ficará como está. Vencendo o "SIM", a coisa piora ainda mais um pouco.

Nesse nosso "renascimento", em que tantos artistas têm aparecido por aí, rendemo-nos com aplausos demorados para a imprensa, que descobriu nos mais remotos rincões deste país a obra de muitos desses ícones da corrupção, que tanto lutaram para se manter anônimos.

E o volume da produção artística desses caras é tão grande que a última descoberta, geralmente, já nos faz esquecer da penúltima. Muita gente, por exemplo, já não lembra mais que a primeira invenção do Severino (que veio à tona) foi o nepotismo praticado por ele em nossas barbas. Quando o mensalinho tomou dimensão a gente nem lembrava mais da parentada que ele empregou... e depois veio o mensalão. E ninguém mais se lembra nem do nepotismo, e nem do mensalinho!

Artistas, mesmo, somos nós, brasileiros, que enquanto não invertermos de vez essa nossa condição de público (ao invés de povo), continuaremos nos equilibrando nessa corda bamba.

O Renascimento medieval mudou o mundo para sempre em suas concepções científicas, culturais e fizeram por si só a humanidade rever seus conceitos, até mesmo sobre o universo.

Quem sabe, esse nosso "renascimento" não produza também um "volume artístico" capaz de impulsionar essa brava gente brasileira a reagir de qualquer forma. Talvez a gente até saia da inércia.

Um bom começo, então, seria votar correta e conscientemente no próximo dia 23 de outubro. A única pergunta a se responder neste referendo é "desarmamento de quem, afinal? Dos bandidos?".

Um comentário:

  1. Reginaldo Knevitz3:58 PM

    Sempre passo por aqui; sinto que cresço e amadureço mais quando leio as postagens deste blog.

    Valeu Rodrigo e continue assim...

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E você, o que vc pensa a respeito???

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